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Clínica

Padrão de conectividade cerebral da depressão se repete em dois países

Estudo com 2.670 pessoas no Japão e na Alemanha mostra que um padrão de conexões do cérebro distingue depressão e acompanha a gravidade atual dos sintomas.

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Redação Novidades Psi
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O que saiu

A Nature Mental Health publicou em 21 de outubro um estudo observacional, em acesso aberto, que testa se um padrão de conectividade cerebral associado à depressão maior, identificado em uma amostra japonesa, se repete em uma amostra alemã. O trabalho é de um consórcio de universidades da Alemanha e dos Países Baixos.

O que o estudo diz

A ideia parte de uma analogia com os escores de risco poligênico. Em vez de procurar uma região alterada, os autores somam pequenas diferenças de conectividade funcional espalhadas pelo cérebro inteiro em um único número, chamado escore policonectômico. O padrão de referência veio de 824 controles e 229 pacientes com depressão no Japão, examinados em 8 aparelhos de ressonância em 13 centros. Esse padrão foi então aplicado a 923 controles e 694 pacientes na Alemanha, de dois centros, com diagnóstico por entrevista estruturada e sintomas atuais medidos pelo Inventário de Depressão de Beck.

O escore distinguiu pacientes de controles na amostra alemã (z = 5,1; p menor que 0,001), com área sob a curva de 0,69, e explicou 1,3% da variância além de idade, sexo, movimento e aparelho. Para comparação, o mesmo método testado dentro da própria amostra japonesa chegou a uma área sob a curva de 0,83, ou seja, o desempenho cai quando se muda de população, mas a associação se mantém.

O resultado mais interessante para a clínica está na relação com o estado atual. Os escores foram mais altos nos pacientes em episódio agudo e intermediários nos parcialmente remitidos. Escores maiores acompanharam maior gravidade dos sintomas (r = 0,09; p = 0,022), com destaque para a perda de prazer (r = 0,12; p corrigido = 0,041). Já com o histórico da doença, como idade de início, número de episódios e internações, não houve associação. Os autores leem isso como sinal de que o padrão reflete mais o estado presente do que a trajetória passada, em linha com estudos que mostram conectividade se normalizando após tratamento bem-sucedido.

Os próprios autores sublinham os limites: os tamanhos de efeito são modestos, o desenho transversal não permite falar em causa, e uma única replicação entre populações não fecha a questão da generalização. Parte dos autores declara honorários de empresas farmacêuticas. O código de análise está público.

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